12.02.2025

Mobilidade

Mobilidade elétrica em Portugal: guia completo para quem quer mudar para um carro elétrico

A mobilidade elétrica em Portugal está a crescer, mas a decisão de mudar para um carro elétrico continua a levantar várias dúvidas. Quanto custa realmente? Como funciona o carregamento no dia a dia? E que incentivos existem para reduzir o investimento inicial?

Se está a considerar fazer esta transição, é importante perceber não só as vantagens, mas também os custos, as limitações e o impacto que terá na sua rotina.

Neste guia, explicamos tudo o que precisa de saber.

O que é a mobilidade elétrica?

De forma simples, o termo mobilidade elétrica refere-se à utilização de qualquer veículo movido a eletricidade. Por outras palavras, diz respeito à substituição dos tradicionais motores a combustão por motores elétricos, alimentados por baterias.

A mobilidade elétrica representa uma mudança na forma como os veículos são utilizados, carregados e integrados no dia a dia, tanto por particulares como por empresas. Esta transição está a ganhar força em Portugal, impulsionada pela evolução da infraestrutura de carregamento, pelos incentivos à compra e pela redução dos custos de utilização.

Tipos de mobilidade elétrica

Atualmente, existem várias soluções elétricas para atender a diferentes necessidades e estilos de vida.

  • Carros 100% elétricos: estes carros funcionam exclusivamente com eletricidade armazenada em baterias, com zero emissões diretas e baixo custo. São ideais para deslocações diárias e viagens mais longas, dependendo da autonomia.
  • Híbridos convencionais e plug-in: estes carros alternam entre o motor elétrico e o motor a combustão para otimizar a eficiência. Os híbridos plugin permitem carregar as baterias diretamente numa tomada elétrica para aumentar a autonomia elétrica. Já nos convencionais, a bateria é carregada a partir do movimento do automóvel.
  • Motociclos e scooters elétricas: são práticas e eficientes para deslocações urbanas, com um custo por quilómetro inferior aos modelos tradicionais e uma condução mais tranquilo e silenciosa.
  • Bicicletas e trotinetes elétricas: facilitam deslocações rápidas e confortáveis, especialmente em áreas urbanas e com subidas. São ideais para pequenas distâncias e como complemento ao transporte público. 

Quais são as vantagens da mobilidade elétrica?

Se está a pensar mudar para um carro elétrico, saiba que a mobilidade elétrica traz inúmeros benefícios. Aqui estão os principais:

  • Redução de emissões. Os carros 100% elétricos produzem zero emissões, contribuindo significativamente para a redução da poluição do ar. Nos híbridos, as emissões são significativamente inferiores às dos motores tradicionais.
  • Redução de custos por quilómetro. É possível circular com um custo a rondar os 3 euros por 100 km (assumindo um consumo médio de 16 kWh/100km e um valor de 0,20 eur por kWh) – um valor inferior até aos modelos mais eficientes a gasóleo ou gasolina.
  • Menores custos de manutenção. A manutenção de veículos elétricos é geralmente mais barata. Sem a necessidade de trocas de óleo e com menos peças móveis sujeitas a desgaste, os custos de manutenção são mais reduzidos.
  • Experiência de condução mais eficiente. A condução elétrica é mais silenciosa e suave, com resposta imediata ao acelerador, o que melhora o conforto em contexto urbano e em viagem.
  • Estacionamento gratuito. Muitos municípios oferecem incentivos para o estacionamento de veículos elétricos.

 

Como e onde pode carregar um carro elétrico

Existem duas formas principais de carregar um veículo elétrico: em casa ou em espaços públicos. A escolha depende do seu padrão de utilização e da necessidade de conveniência ou custo.

Carregamento em casa

O carregamento doméstico é, na maioria dos casos, a opção mais económica e conveniente.

Pode ser feito de duas formas: através de uma tomada convencional ou através de uma wallbox. 

  • Tomada convencional: permite carregar o veículo em qualquer instalação elétrica doméstica, sendo uma solução simples e sem investimento inicial. No entanto, o processo é mais lento e menos eficiente, sendo mais adequado para utilizações pontuais ou veículos com menor necessidade diária de autonomia. O tempo de carregamento pode variar entre 20 e 30 horas para uma carga completa, dependendo da capacidade da bateria do veículo.
  • Wallbox: é a solução mais eficiente, pois permite fazer carregamentos mais rápidos, seguros e com melhor gestão de energia. Por exemplo, com uma wallbox de 7,4 kW, é possível carregar cerca de 100 km de autonomia em aproximadamente 2 horas, dependendo da eficiência e do consumo do veículo. Este equipamento também possibilita tirar partido de tarifas bi-horárias, reduzindo significativamente o custo por kWh.

Importa ainda saber que as wallbox podem funcionar em instalações monofásicas ou trifásicas. Em termos simples, as instalações monofásicas são as mais comuns em casas e oferecem potências mais baixas, enquanto as trifásicas permitem carregamentos mais rápidos devido à maior potência disponível. A escolha depende da instalação elétrica da habitação e do tipo de utilização do veículo.

 

 

Carregamento em espaços públicos

Para utilizar a rede pública de carregamento em Portugal (MOBI.E), é necessário aderir a um Comercializador de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME).

Este sistema permite carregar em qualquer posto público, independentemente do operador.

Na prática, o processo é simples:

  1. Adira a um CEME (como o Galp Electric);
  2. Localize um ponto de carregamento próximo de si. Pode fazê-lo através da app Mundo Galp;
  3. Assim que chegar, passe o cartão CEME e escolha a tomada certa para o seu carro e para o tipo de carregamento que pretende (normal, rápido ou ultrarrápido);
  4. Para terminar o carregamento, passe novamente o seu cartão CEME no posto antes de remover a tomada. O custo do carregamento será debitado automaticamente da conta associada ao cartão;
  5. Na app Mundo Galp, pode consultar todos os detalhes dos carregamentos realizados.

Quanto custa ter um carro elétrico em Portugal?

Depois de perceber como funciona o carregamento, é mais fácil entender os custos associados à utilização de um veículo elétrico.

Custo de carregamento

O custo de carregar um veículo elétrico depende essencialmente de três fatores: onde carrega, quanto paga por kWh e a eficiência do veículo.

Tendo em conta as opções principais de carregamento, estes são os custos que poderá ter:

  • Carregamento em casa (tomada doméstica convencional): o custo por kWh tende a ser mais baixo, especialmente em tarifas bi-horárias, onde podem rondar valores próximos de 0,12 €/kWh. Em tarifa simples, o valor médio situa-se em torno de 0,20 €/kWh.
  • Instalação de uma wallbox: na Galp, pode alugar um carregador elétrico por apenas 16,40 € por mês e receber 16% de desconto em carregamentos com o cartão Galp Electric. A instalação é assegurada por técnicos especializados e tem um custo a partir de 398€ (instalação monofásica) ou 535€ (trifásica).
  • Carregamento em espaço público: os preços variam consoante o operador, potência e tipo de carregamento, sendo mais elevados em carregamento rápido e ultrarrápido, onde a conveniência tem um custo adicional.

Considerando um consumo médio de cerca de 15 kWh/100 km, o custo de carregamento de um veículo elétrico pode variar consoante o local e o tarifário utilizado:

  • Carregamento doméstico em tarifa bi-horária: cerca de 1,5 € a 2 € por 100 km, quando realizado em período de vazio;
  • Carregamento doméstico em tarifa simples: cerca de 2,5 € a 3 € por 100 km;
  • Carregamento rápido em postos públicos: cerca de 5 € a 7 € por 100 km, dependendo do operador e do posto.

Para referência, num veículo de combustão equivalente, considerando um consumo de 7 L/100 km e um preço de gasolina na ordem dos 1,70 €/litro, o custo é de cerca de 12 € por 100 km. A gasóleo, considerando um consumo de 6 L/100 km e um preço de cerca de 1,65 €/litro, o custo é de cerca de 10 € por 100 km.

Assim, mesmo considerando o carregamento público, um veículo elétrico pode apresentar um custo energético por quilómetro inferior ao de um veículo equivalente a gasolina ou gasóleo.

Custos de manutenção

A manutenção de veículos elétricos tende a ser inferior devido à menor complexidade mecânica. Por exemplo, há um menor número de componentes sujeitos a desgaste, os carros elétricos não têm motor de combustão (óleo, filtros, correias) e há também menor desgaste dos travões devido à travagem regenerativa 

Na maioria dos casos, os intervalos de manutenção são mais alargados do que nos veículos a combustão, o que reduz custos ao longo do tempo.

Incentivos ao uso de carro elétrico 2025/2026

Em 2025, os incentivos à mobilidade elétrica em Portugal incluíam um conjunto de apoios financeiros, sendo o principal o programa do Fundo Ambiental, que atribuía subsídios diretos à aquisição de veículos 100% elétricos novos, com condições que variavam consoante a tipologia da candidatura.

Em 2026, prevê-se a abertura de um novo apoio do Fundo Ambiental para o apoio à compra de veículos elétricos. Contudo, a calendarização e as condições finais ainda não estão oficialmente confirmadas pelo Governo. Independentemente dos apoios à compra, existem benefícios fiscais estruturais que se mantêm como apoio à mobilidade elétrica:

  • Isenção do ISV: os carros elétricos não pagam o Imposto Sobre Veículos (ISV). Para os híbridos, há uma redução de até 75%, dependendo de fatores como a autonomia e as emissões.
  • Isenção do IUC: o cálculo do Imposto Único de Circulação (IUC) é principalmente influenciado pelas emissões de CO2. Desta feita, os carros elétricos não pagam. Já os híbridos têm acesso a uma taxa reduzida.
  • Desconto no carregamento de veículos elétricos: com o cartão Galp Electric pode poupar até 18% em qualquer ponto de carregamento elétrico.

Como escolher um carro elétrico

A compra de um carro elétrico ou híbrido é uma decisão importante, que deve ter em conta vários fatores.

Avalie as suas necessidades reais

O primeiro passo é perceber como utiliza o carro no dia a dia.

Se faz sobretudo trajetos urbanos curtos, praticamente qualquer veículo elétrico recente será suficiente. Já para quem faz viagens frequentes ou longas distâncias, é importante optar por modelos com maior autonomia e acesso a carregamento rápido.

Verifique a autonomia e o consumo

A autonomia anunciada pelos fabricantes (WLTP) serve como referência, mas pode variar consoante fatores como velocidade, temperatura ou estilo de condução.

Atualmente, muitos modelos oferecem autonomias entre 300 e 500 km, sendo mais do que suficiente para cobrir a maioria das necessidades diárias. 

Mais do que olhar apenas para a autonomia, deve também considerar o consumo médio (kWh/100 km), já que este valor tem impacto direto no custo de utilização.

Considere onde vai carregar

Antes de escolher um modelo, é fundamental perceber como e onde vai carregar o veículo.

Se tiver a possibilidade de carregar em casa, especialmente com uma wallbox, terá maior conveniência e custos mais baixos. Caso dependa mais da rede pública, pode ser relevante escolher um carro com melhor capacidade de carregamento rápido.

Analise o tempo de carregamento

Nem todos os veículos carregam à mesma velocidade. A potência máxima suportada pelo carro (AC e DC) influencia diretamente o tempo necessário para carregar a bateria, especialmente em viagens.

Por exemplo, um carro com carregamento rápido mais eficiente pode recuperar grande parte da autonomia em cerca de 20 a 30 minutos, o que faz diferença sobretudo em viagens longas.

Compare o custo total de propriedade

Compare o custo inicial, custos de manutenção e poupança com combustível de um carro elétrico, híbrido e a combustíveis fósseis. Lembre-se de considerar incentivos fiscais e subsídios disponíveis, e o valor de abate. Inclua também a opção de alugar ou comprar um carregador elétrico para instalar em casa. Pode fazer aqui a simulação do valor a pagar com o aluguer de uma Wallbox da Galp.

Identifique as características mais importantes para si e compare

Potência, espaço, autonomia, preço - faça uma lista das características mais importantes para si e compare os vários modelos. Descarte aqueles que não cumpram os requisitos anteriores. Assim, terá mais facilidade em encontrar o veículo que realmente se adapta às suas necessidades.

Mitos sobre mobilidade elétrica

Apesar do crescimento da mobilidade elétrica, continuam a existir várias ideias erradas que podem gerar dúvidas na hora de tomar uma decisão. Estes são alguns dos mitos mais comuns e o que dizem os factos.

“Os carros elétricos não têm autonomia suficiente”

Este é um dos mitos mais frequentes e cada vez menos verdadeiro.

Atualmente, muitos veículos elétricos oferecem autonomias entre 300 e 500 km, sendo que alguns modelos já ultrapassam os 600 km em condições ideais.

Além disso, a maioria dos condutores percorre menos de 50 km por dia, o que significa que a autonomia não é um problema no uso quotidiano.

“Não dá para fazer viagens longas”

É possível fazer viagens longas com um carro elétrico, embora exija algum planeamento.

A rede pública de carregamento tem vindo a crescer e os postos rápidos permitem recuperar grande parte da bateria em 20 a 30 minutos. Para viagens ocasionais, a experiência já é bastante semelhante à de um carro a combustão.

“Não há pontos de carregamento suficientes”

Este mito foi verdadeiro há alguns anos, mas a realidade mudou.

A rede pública em Portugal está em expansão e cobre a maioria das zonas urbanas e dos principais eixos rodoviários. Pode encontrar aqui os postos Galp mais próximos para carregar o seu carro. 

Além disso, ao contrário dos carros a combustão, os veículos elétricos podem ser carregados em casa, o que reduz significativamente a dependência da rede pública.

“As baterias duram pouco e viciam”

As baterias atuais são de iões de lítio e não sofrem do chamado “efeito de memória”. A degradação existe, mas é gradual - em média, cerca de 2% ao ano - e a maioria dos fabricantes oferece garantias de vários anos ou centenas de milhares de quilómetros.

“Os carros elétricos são perigosos”

Os veículos elétricos cumprem os mesmos padrões de segurança que os carros a combustão. Além disso, incluem sistemas específicos para reduzir riscos elétricos em caso de acidente. Em muitos casos, o centro de gravidade mais baixo (devido às baterias) contribui até para maior estabilidade.

“Não se pode usar um elétrico à chuva ou lavar o carro”

Este é um mito clássico. Os sistemas elétricos estão totalmente isolados e preparados para condições adversas, incluindo chuva intensa ou lavagem automática. Desde que sejam seguidas as recomendações do fabricante, não existe qualquer risco adicional.

“Os elétricos são mais lentos”

Na realidade, acontece o contrário. Os motores elétricos disponibilizam binário imediato, o que permite fazer acelerações mais rápidas e uma condução mais fluida, especialmente em cidade.

Veredito: vale a pena a mudança para mobilidade elétrica?

Em resumo, a mobilidade elétrica pode ser ideal para si se fizer percursos regulares e previsíveis, e quiser tirar proveito da autonomia dos veículos elétricos para viagens diárias. Além disso, é uma ótima opção para poupar nos custos de combustível, já que o carregamento costuma ser mais económico do que os combustíveis fósseis. Por fim, ter acesso a pontos de carregamento, seja em casa, no trabalho ou em locais públicos, sinaliza a facilidade que terá em fazer a transição para esta alternativa.

FAQs sobre mobilidade elétrica

Estas são algumas das dúvidas comuns entre quem está a pensar aderir à mobilidade elétrica.

1. Os veículos elétricos são mais caros do que os convencionais?
O preço de compra tende a ser mais elevado, mas esta visão é incompleta. Quando se considera o custo total de utilização - incluindo carregamento, manutenção e benefícios fiscais - os veículos elétricos podem tornar-se mais económicos ao longo do tempo. Ou seja, o custo inicial é apenas uma parte da equação.

2. Quanto tempo demora a carregar um carro elétrico?
Depende da marca, do modelo do veículo e, em grande parte, da capacidade do carregador. Por exemplo, um carregador rápido, com potência superior a 22 kWh, pode carregar até 80% em apenas 30 minutos.

4. Preciso de um carregador doméstico?
Não é obrigatório, mas é conveniente. Um carregador doméstico, como as Wallbox, permite que carregue o veículo durante a noite e otimize o tempo de carregamento. É também uma solução eficiente, segura e mais económica, especialmente com tarifas bi-horárias.

5. Qual é a autonomia do carro elétrico?
Os modelos mais recentes podem alcançar autonomias entre 400 e 600 km com uma carga completa. Para determinar a autonomia necessária para o seu caso, considere a distância média percorrida diariamente e a disponibilidade de pontos de carregamento ao longo do percurso.

6. Vale a pena comprar um carro elétrico usado?
Sim, pode ser uma opção interessante, sobretudo pelo preço mais acessível. No entanto, é importante verificar o estado da bateria (SOH - State of Health), a autonomia real e o histórico do veículo, já que a degradação da bateria pode influenciar o desempenho.

7. Os carros elétricos desvalorizam mais rápido?
A desvalorização tem vindo a estabilizar. Ainda que historicamente fosse mais acentuada, o aumento da procura e a evolução tecnológica estão a tornar o mercado de usados mais competitivo, o que ajuda a preservar melhor o valor residual.

8. Posso carregar um carro elétrico em qualquer tomada?
Sim, mas com limitações. Uma tomada doméstica convencional permite carregar o veículo, mas de forma mais lenta e com menor controlo. Para maior eficiência e segurança, recomenda-se a utilização de uma wallbox.

Galp, ao seu lado para aderir à mobilidade elétrica

Na Galp, encontro tudo o que precisa para aderir à mobilidade elétrica. Por exemplo, pode instalar uma Wallbox em casa para carregar confortavelmente durante a noite. Se precisar de carregar o carro fora de casa, use o cartão Galp Electric para ter acesso a descontos no carregamento.

Além disso, com a app Mundo Galp pode iniciar o carregamento do seu veículo elétrico sem ter de usar o cartão físico. Pode ainda consultar a localização dos pontos, a sua disponibilidade, o nível de potência, o tipo de tomadas e o preçário em vigor.

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